ABC dos investimentos

Vamos falar sobre investimentos? Aposto que você adora esse assunto!


 


É muito provável que você já tenha investido o seu dinheiro em produtos como um CDB, uma LCI, Títulos do Tesouro Direto... e se você for um pouco mais arrojado, provavelmente você já até investiu na bolsa.


 


Mas eu tenho uma notícia um pouco chata para você: neste mundo dos investimentos nós não ganhamos dinheiro através dos investimentos! Eles funcionam apenas como uma forma de proteger e de aumentar o valor daquele dinheiro que você já produziu com o seu trabalho. Então é importante dizer aqui que o maior esforço de poupança deve estar concentrado na sua geração de renda e no controle do seu fluxo de caixa.


 


Esse dinheiro gerado pelo trabalho e economizado no controle das finanças domésticas, quando investido, tem o objetivo de buscar proteção do valor de compra ao longo dos anos. E, de quebra, alcançar algum rendimento acima da inflação, que é a medida de perda do valor de compra do dinheiro.


 


Mas veja que esse fator de multiplicação dado pelos investimentos não se compara a capacidade de geração de renda do indivíduo. O que eu quero dizer é que o aumento do seu patrimônio e a geração de riqueza são provenientes do seu trabalho, e não dos lucros dos investimentos. Estes são uma ferramenta usada para proteger aquele dinheiro que nós já produzimos com o nosso trabalho.


 


E aí depois disso tudo você deve estar se perguntando: então por que eu vou investir o meu dinheiro? Se não existir nenhum mecanismo para que o dinheiro mantenha esse poder de compra, você vai poupar dinheiro, porém ao final de um período esse dinheiro vai valer menos. Então é para isso que nós conjugamos poupança e investimentos.


 


Com essa explicação eu quero agora te fazer um convite para entrarmos no mundo dos investimentos. Vamos entender como esse mercado financeiro se comporta de um ponto de vista mais técnico, para que você, na hora de optar por fazer investimentos com o seu dinheiro, possa entender qual é o comportamento desse mecanismo e o que você pode esperar. Vamos?


 


Antes de começarmos a falar de investimentos de fato, é necessário entender qual é o fluxo do dinheiro no mercado financeiro. Por que que os investimentos existem?


 


É fácil entender! No mercado financeiro existe um fluxo de dinheiro entre 2 tipos de agentes, os agentes superavitários, aqueles que tem dinheiro sobrando, e os agentes deficitários, aqueles que têm dinheiro faltando.


 


Esse "sobrar" e "faltar" tem aqui uma outra conotação. Quando você faz a lição de casa, cuida do seu orçamento doméstico e reserva uma parte do seu dinheiro para o futuro, você tem dinheiro sobrando. Enquanto do outro lado do balcão existe um agente deficitário que está esperando o seu dinheiro para poder empregar em sua necessidade.


 


Agora eu te pergunto: quem você acredita que são esses agentes superavitários e esses agentes deficitários?


 


Via de regra os agentes superavitários são aquelas pessoas que estão colocando o seu dinheiro no mercado financeiro. É você que está abrindo mão desse dinheiro para investir. Quando você faz esse movimento você está esperando algo em troca, um rendimento. Esse dinheiro vai trabalhar, ele vai passar para as mãos de uma empresa por exemplo e essa empresa vai empregá-lo no seu negócio de forma que ela possa gerar mais dinheiro.


 


E como esse dinheiro investido por você pode chegar nas mãos de uma empresa, para usá-lo em seu negócio? Se você já investiu o seu dinheiro provavelmente você também já ouviu falar sobre renda fixa e renda variável.


 


Quando você investiu e uma empresa lá do outro lado pegou esse dinheiro, essa empresa optou por uma forma desse dinheiro ser reconhecido na contabilidade dela. Esta corporação pode acessar este crédito através de um empréstimo, se comprometendo a devolver esse valor com juros. Ou ela convida outras pessoas para serem seus sócios.


 


Então veja, quando uma empresa toma um empréstimo ela está gerando uma dívida e se comprometendo a pagá-la em uma data futura. Esse dinheiro faz parte do passivo (dívidas) da empresa.


 


Por outro lado, quando a empresa convida outras pessoas para serem sócios dela, ela não está mais tomando um dinheiro emprestado. Neste momento ela está dizendo para essas pessoas: “acreditem em meu negócio que ele vai crescer, vai evoluir e esse investimento que vocês estão fazendo voltará em forma de lucro, em forma de dividendos, ou em forma de valorização das suas ações”.


 


Estabelecemos aqui duas classes de ativos, a renda variável e a renda fixa. Quando nos referimos àquela empresa que te convida a ser sócio dela, falamos de renda variável. Quando estamos falando de renda fixa, nos referimos àquela empresa que toma um empréstimo, e parte desse empréstimo pode ser o seu dinheiro.


 


Ao acessar o dinheiro ou através do empréstimo ou através da sociedade, estes investimentos estão sendo movimentados no mercado primário. Nesse mercado há geração de valor econômico, o dinheiro está sendo injetado na empresa. Porém, se esse fluxo se limitasse apenas ao mercado primário, certamente você não encontraria boa parte das oportunidades de investimentos que encontra hoje. Para que esses ativos possam ser vendidos e comprados por investidores diariamente, contamos com o mercado secundário. É como comprar um carro novo. Na concessionária você está no mercado primário, quando você vende o seu carro para uma outra pessoa, você está no mercado secundário. Esta venda não irá gerar mais lucro para a concessionária.


 


Finalmente, vamos falar sobre a importante tríade dos investimentos e como ela define suas escolhas: liquidez, risco e retorno.


 


A liquidez representa o quão acessível aquele valor investido é no momento em que você decidir reavê-lo. O retorno, como o próprio nome já diz, é a característica de potencial rendimento. E o risco, autoexplicativo, está relacionado com as probabilidades de perdas e ganhos do dinheiro investido.


 


A liquidez dos ativos de renda fixa está relacionada com o prazo que a empresa vai devolver o dinheiro. Na renda variável essa liquidez está relacionada com o quão fácil é vender as ações de uma empresa. O retorno na renda fixa é o quanto de juros essa empresa vai pagar pelo empréstimo, já na renda variável é o quanto essa empresa vai se valorizar e distribuir lucros e dividendos ao acionista. O principal risco da renda fixa está relacionado com a probabilidade de a empresa não honrar o empréstimo. Na renda variável é o risco deste negócio não gerar lucro, ou não se valorizar.


 


O risco está relacionado também com o seu perfil de investidor. Aqueles que suportam mais risco e, para isso renunciam à liquidez esperando mais retorno, são classificados como investidores com perfil arrojado. Já os investidores que preferem obter menor rentabilidade para sentir mais segurança são classificados como investidores com o perfil conservador. No meio do caminho temos os investidores moderados.


 


Espero que, com essa conceituação da razão de existir dos investimentos, você tenha atingido maior clareza sobre o porquê de colocar o seu dinheiro a serviço do sistema financeiro. Você pode até ter ficado com a impressão de que, de ambos os lados, existam agentes com interesses monetários complementares. Isso não deixa de ser verdade, mas toda essa movimentação é extremamente importante, também, para a saúde da economia nacional.


 

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