Você pensa no longo prazo?

Certamente você já passou por algum momento na vida em que precisou fazer uma escolha difícil. Acredito que para uma parte importante dos jovens isso acontece naquela famosa época em que se trabalha, estuda, namora e tem amigos sedentos pela sua presença nos momentos de lazer. Então chega a hora de escolher e, com alto impacto emocional, você precisa renunciar a algumas coisas para focar suas energias naquelas que trarão um resultado mais consistente. Uma pessoa que se preocupa com a carreira e com o futuro vai conversar com os amigos para explicar que estará ausente por algum tempo dos churrascos. Vai dizer para o namorado ou a namorada que ele precisará entender a sua ausência. Após o abalo emocional inevitável, a qualidade nos estudos e resultados positivos no trabalho virão naturalmente.


 


 Se você nunca passou por uma situação similar a essa, vai passar. É inevitável, em alguns momentos da vida precisamos fazer escolhas. Mas você já analisou meticulosamente como tomar essas decisões? Veja bem, não estou perguntando se você analisa todas as suas decisões antes de bater o martelo. Estou perguntando se você já analisou o seu processo de decisão. Por vezes esse processo é intuitivo, mas ainda assim ele passa pela etapa de prós e contras, pelo famoso "o que ganho eu com isso?"


 


 Se precisamos fazer essas escolhas e passamos por um processo de reflexão das consequências, podemos experimentar esse mesmo processo de raciocínio e análise para pensar no futuro financeiro. Isso pode trazer a dignidade que ninguém trará para você. Nem o governo, nem as ações de caridade.


 


 Fiz essa comparação porque, invariavelmente, você vai precisar abrir mão de uma parcela da sua renda no presente para construir a sua renda no futuro. É mais ou menos como quando você está de dieta e se permite comprar um chocolate. Você sabe que só poderá comer um (e apenas um) chocolate nas próximas semanas, então faz um esforço sobre-humano para que ele dure dias, em detrimento de minutos, o que seria a sua real vontade.


 


 Creio que você já entendeu que a vida é feita de escolhas e que uma situação futura deve ser construída com atitudes presentes. Transportando isso para o mundo das finanças, podemos refletir sobre como essas escolhas, com o auxílio do longo prazo, podem trazer um benefício imensurável para sua aposentadoria.


 


 Pensar e construir a aposentadoria está muito mais relacionado à dignidade do que a esbanjar dinheiro. Ao confundir a independência financeira com o uso ilimitado de muito dinheiro disponível, relega-se um importante projeto de vida. Essa confusão é gerada a partir da crença de que se precisa de muito dinheiro para realizar este objetivo. O que ceifa a disposição necessária para a tarefa, uma vez que esse objetivo é visto como inalcançável. É necessário corrigir a visão de longo prazo.


 


 Quando nós, apenas seres humanos que somos, olhamos para 30, 40 anos à frente, estamos sob o efeito de um viés cognitivo que nos leva a acreditar que lá na frente tudo vai ser melhor. Distorcemos a realidade futura de modo que ficamos estáticos no presente. Isso nos impede de construir esse futuro por dois motivos: primeiro porque acreditamos que, tudo sendo melhor, não precisamos nos preocupar agora; e segundo porque temos certeza de que até lá já teremos evoluído tanto profissionalmente, que nossos rendimentos serão muito maiores que no presente. É uma projeção completamente destoante, por isso não nos sentimos capazes de alcançá-la e o plano já nasce morto!


 


 E qual seria a lente de correção para essa distorção futura? Entenda a sua realidade e confie no longo prazo. Uma vez que você conhece o seu padrão de vida atual, projete a sua renda com base nesse padrão. Se hoje você vive com R$ 2.000, por exemplo, projete o patrimônio necessário para viver com R$ 2.000 no futuro. Ao passo que você muda sua realidade atual, faça novas projeções da sua vida futura. Isso vai te ajudar a deixar o seu plano sempre vivo e em constante atualização.


 


 Em uma simulação com a nossa Curva da Vitalidade Financeira® uma pessoa de 25 anos precisaria acumular um patrimônio de R$ 474.644,57 para viver de renda dos 65 anos de idade até os 100 anos. Para isso, essa pessoa deveria acumular durante 40 anos R$ 439,18. Uma vez adquirido o hábito de poupar é possível ajustar a poupança paulatinamente para alcançar o objetivo.


 


 A partir daqui você pode divagar à vontade:


"E se a minha renda aumentar?"


"E se eu investir o meu bônus, décimo terceiro e outros extras?"


"E se eu aprender mais sobre investimentos e passar a investir em opções mais robustas?"


"E se eu estudar mais e crescer na carreira e com isso ganhar mais?"


"E se eu construir uma segunda fonte de renda?"


 


 Viu? A vida não é estática e todos esses "e se" podem mudar a sua condição atual e remodelar o seu futuro.


 


 Por último, e não menos importante, confie no longo prazo. A disciplina de reservar parte da sua renda para o futuro e a constância de investir essa quantia com sabedoria pode te levar a uma vida mais digna.

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