O que esperar de 2019?

O ano de 2018 foi muito especial para nós da SuperRico Projetos de Vida. Além de estruturarmos nossa Governança com políticas internas e de Compliance, reforçamos nosso time de back-office e fizemos investimentos importantes em tecnologia, sem perder o nosso foco em levar um assessoramento diferenciado e que permita a conquista da liberdade financeira e um melhor acompanhamento das finanças de nossos clientes. Complementando nossa oferta de serviços, lançamos nossa carta de economia com uma breve leitura do ano de 2018 e nossa visão para 2019.


 


Contexto 2018


 


Como esperado em anos de eleição os ativos brasileiros apresentaram uma grande volatilidade em 2018, alternando o humor do mercado a cada pesquisa eleitoral, em volta de um ambiente global menos favorável que os de anos anteriores. Os primeiros meses do ano foram bastante positivos para os ativos, porém no final do primeiro semestre os preços já haviam piorado, com bolsa caindo e a taxa de câmbio brasileira atingindo 4,20. A medida que a proposta econômica de cada candidato foi sendo apresentada e o desfecho das urnas determinou a vitória do Presidente Jair Bolsonaro, o mercado reverteu a piora diante de perspectivas mais otimistas para a economia nos próximos anos. Mesmo o otimismo que tomou conta do mercado no final do ano não foi capaz de mover a economia com mais vigor. O PIB brasileiro deverá crescer apenas 1,4% em 2018, bem abaixo das projeções do início do ano. Do lado positivo, terminamos o ano com inflação controlada e juros historicamente baixos.


 


Renda fixa pós-fixada


 


Do ponto de vista de retorno ao investidor, a taxa básica de juros se manteve estável e portanto, títulos públicos atrelados a Selic como as LFT de curto prazo – Letras Financeiras do Tesouro Nacional e os CDBs a 100% CDI renderam aproximadamente 6,5% (sem considerar o imposto de renda). Considerando uma inflação de 3,80% para o ano de 2018, os juros reais dessas aplicações permitiram um bom retorno para aquela parcela de investimento de curto prazo, ou seja, a reserva de emergência. Apesar da facilidade a Poupança não foi uma boa alternativa uma vez que para o atual nível da taxa Selic, a poupança rende apenas 70% dos 6,5%, ou 4,55% líquidos.


 


Renda fixa prefixada


 


Exatamente por conta do otimismo dos investidores a partir do desfecho da eleição brasileira, as aplicações que melhor rentabilizaram o investidor em 2018 foram aquelas voltadas para os objetivos de médio e longo prazo, ou seja, taxas prefixadas, títulos de inflação de prazos superiores a 3 anos e a Bovespa. As LTN – Letras do Tesouro Nacional – são títulos que remuneram um investidor com uma taxa de juros acordada no momento da compra. Para o vencimento de 2021 esses títulos pagavam aproximadamente 9% ao investidor no início do ano (uma aplicação equivalente a 137% do CDI daquele período), finalizaram o ano pagando 7,40%. Uma carteira composta por título prefixados que tivesse iniciado no início do ano e vendida no último dia útil de 2018 teria rendido aproximadamente 10,30% neste ano. Naturalmente no processo de Planejamento Financeiro o objetivo da aplicação não é de mudar a carteira com tamanha intensidade, embora em alguns casos faça sentido.


 


Inflação


 


O mesmo movimento foi visto nos títulos de inflação, as famosas NTNB’s. Uma carteira para os objetivos de longo prazo que tenha títulos médios de 5 anos de prazo rendeu 13% neste ano.


 


Multimercados


 


Finalmente aquelas carteiras compostas com Fundos de Multimercado Macro apresentaram resultado difuso. Novamente a seleção dos melhores fundos fez diferença, a depender da carteira do investidor o resultado foi levemente superior ao CDI ou mesmo abaixo. Alguns grandes ganhadores de 2017 não foram tão bem neste ano. Algumas famílias de fundos com maiores volumes de recursos do mercado como os da Gestora Adam, o Safra Galileo, SPX, Garde e Ibíuna renderam abaixo do CDI na janela de 12 meses, porém numa janela maior continuam interessantes. Já do lado dos vencedores destaque para o Bahia Marau, Kapitalo, Gávea e o recém lançado Legacy. Já os fundos Long/Shorts que fazem posições compradas e vendidas em ações foram ótimas alternativas em 12 meses. Apesar deste ano não ter sido destaque a classe de multimercado tem um papel importante na carteira de alocação, principalmente para os objetivos de médio prazo, pois esses fundos são a primeira proteção para a mudança de ciclo econômico, até que o investidor juntamente do seu consultor possa ajustar a carteira total para a nova realidade que se desenha. A literatura mostra que a troca de fundos em excesso traz custos aos investidores. Por isso vale acompanhar mais um período antes de mudança na carteira de investimento.


 


Renda Variável


 


Na contramão das bolsas globais a Bovespa terminou 2018 com variação positiva de 15,03%, com destaque para as ações das empresas estatais e bancos. As carteiras de investimento com o objetivo de longo prazo são aquelas que mais recomendamos exposição ao Bovespa, um crescimento consistente da economia brasileira trará reflexos sobre o balanço das empresas e bons dividendos aos investidores.


 


O que esperar de 2019


 


Novo governo e agora? O novo governo toma posse com um discurso ultraliberal e de moralização do Estado, a expectativa é de que possa desmontar a bomba fiscal que está armada sobre a cabeça de cada brasileiro. Temos um Estado muito grande e com demandas custosas no setor de saúde, segurança e educação. A legitimidade das urnas trará espaço para que as reformas sejam enviadas ao Congresso Nacional, porém aprová-las não será simples. O ajuste fiscal passa por reformas importantes, em especial a da Previdência Social. Porém a considerarmos o tamanho dos déficits fiscais e a necessidade de investimentos públicos, não passaremos ilesos aos aumentos de impostos. Como Planejadores Financeiros, vemos com preocupação os boatos de aumentos das alíquotas de IR sobre rendimentos financeiros dos investimentos, sobre dividendos das empresas e o fim da isenção de IR sobre algumas classes de ativos como LCI, LCA e Debêntures de Infraestrutura. A depender do que for aprovado, o perfil de produtos de uma carteira de médio e longo prazo tende a mudar para refletir a nova realidade da rentabilidade real das carteiras.


 


Do lado do crescimento econômico os motivos para sermos otimistas são muitos. A começar pelos juros básicos da economia que deverão permanecer no nível atual por mais um ano. Segundo o relatório Focus, apenas para 2020 o mercado acredita em juros acima de 6,5%, mesmo assim ainda em níveis baixos para Brasil. O novo presidente do Banco Central – Roberto Campos Neto - herdará uma inflação sob controle e preços de tarifas públicas sem defasagem. A expectativa para o IPCA nos próximos anos é de 4%, ainda abaixo da meta de 4,25% de 2019.  Do lado da atividade econômica, o PIB brasileiro ainda não se recuperou das quedas do biênio 2015-2016, ou seja, temos capacidade ociosa nas empresas que pode levar a um crescimento robusto da produção sem pressão do lado da oferta, com exceção de energia que temos um problema contratado para os próximos anos.


 


Câmbio


 


Para finalizarmos a avaliação do cenário para 2019, diferentemente de outros anos, a expectativa com a economia brasileira está melhor do que a da economia global. A disputa comercial entre EUA e China está longe de ser resolvida, com impactos sobre crescimento do comércio global. As dificuldades históricas da Europa continuam à tona: movimentos separatistas locais, baixo crescimento, envelhecimento da população. A Ásia continua sendo o coração pulsante do crescimento global, mas não mais com o mesmo ímpeto, porém de mais sustentável. A confirmar o melhor momento da economia brasileira, vemos espaço para uma taxa de câmbio mais apreciada.


 


Ativos brasileiros


 


Dado este cenário para 2019, somos otimistas com os ativos de Brasil. Especialmente aqueles relacionados a economia real como a Bolsa de Valores, fundos imobiliários, taxas de juros de médio prazo. Continuaremos acompanhando os fundos multimercados, entendemos que eles têm um papel importante no processo de investimento.


 


Oportunidade de acumulação de poupança


 


Nós somos ainda mais otimistas com os caminhos possíveis que o crescimento econômico pode trazer sobre o processo de acumulação de poupança de longo prazo de nossos clientes. As reformas propostas e a modernização do Estado brasileiro levarão a um aumento da produtividade da economia e, consequentemente, maior remuneração do trabalho e salários, facilitando assim o aumento da parcela mensal que nossos clientes contribuem para sua poupança futura. Tal processo de acumulação poderá ser favorecido com a retomada do emprego formal com carteira assinada. Desde o início da crise em meados de 2014 foram perdidos 4 milhões de empregos com carteira assinada na iniciativa privada, compensados por incremento de profissionais que trabalham por conta própria e empreendedores que cresceram quase na mesma proporção. Recomendamos fortemente a nossos clientes que o incremento de renda do trabalho seja seguido de aumento na poupança.


 


Feliz 2019 e conte com a equipe da SuperRico Projetos de Vida.


 


 


Jayme Carvalho – Economista, Consultor de Valores Mobiliários e Co-Fundador da SuperRico Projetos de Vida


 


 


 


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Este material foi preparado pela SuperRico Projetos de Vida e Planejamento Financeiro LTDA, pelo economista e consultor de valores mobiliários Jayme Paulo Carvalho Junior. As informações, opiniões, estimativas e previsões nele contidas foram obtidas de fontes consideradas seguras pelo autor, mas nenhuma garantia é firmada pelo autor ou pela SuperRico Projetos de Vida e Planejamento Financeiro LTDA a ela ligadas quanto a correção e integridade de tais informações, opiniões e estimativas, ou quanto ao fato de serem completas. As informações nele apresentadas podem variar de acordo com a movimentação do mercado. Este material destina-se à informação de investidores e não constitui oferta de compra ou venda de títulos e/ou valores mobiliários. As operações financeiras nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitas à riscos de perda financeira. É muito importante a adequada compreensão da natureza, e riscos dos produtos e operações financeiras antes de investir. Os investidores devem buscar orientação profissional com relação aos aspectos tributários, regulatórios e outros que sejam relevantes a sua condição específica. As operações financeiras apresentadas podem não ser adequados aos objetivos, situação financeira ou necessidades individuais, de acordo com o perfil de cada cliente. O preenchimento do formulário de Suitability é essencial para garantir a adequação do perfil do cliente ao produto escolhido. 

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